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Tatuagem é arte, tatuagem é liberdade e tatuagem é inclusão

5 de maio de 2022 Findtattoo Compartilhar facebook Twitter
Tatuagem é arte, tatuagem é liberdade e tatuagem é inclusão

A popularidade das tatuagens hoje em dia é algo inegável. A moda vem tomando tanto espaço que, a partir de 2020, esse mercado cresceu mais  24%, ignorando completamente a crise que tem afetado outros setores. Apesar de parecer uma moda relativamente recente e um sinal de juventude, é uma tradição ancestral e a história da tatuagem mostra que a prática está presente na humanidade desde, pelo menos, 3.000 anos antes de Cristo!

Tatuagem é uma das artes mais antigas da humanidade, em 1500 quando Portugal chegou em nossas terras encontrou os povos indígenas já com a prática da tatuagem. 

Cada tribo tinha seu ritual e seus desenhos para poder se diferenciar entre os demais.

Já na Grécia, no século XVIII, a tatuagem era para punir e degradar prisioneiros e escravos fugitivos. Os Romanos, tatuavam a face e as mãos dos escravos e de pessoas punidas.

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Mas hoje em dia, tudo mudou. A tatuagem é sinônimo de status e a cada dia que passa o mercado da tatuagem tem tido uma enorme explosão. Com a ajuda da internet, que possibilita interligar pessoas interessadas em tatuar com artistas que desejam eternizar na pele as suas artes.

Sendo que por incrível que pareça, em pleno século XXI, ainda existem muitos preconceitos. E nesta matéria irei citar os absurdos mais comuns que escuto diariamente no meu estúdio e em todos os outros lugares que eu atendo. Porque podem pensar que o preconceito e a desinformação é algo regional ou algo das classes mais baixas, mas não é.

Vamos lá…

Por lei é necessário ter rampa de acesso para pessoas que precisam se locomover com cadeiras de rodas, bengala, dentre outros…

Somos seres humanos múltiplos e diversos, então o estúdio precisa estar apto para comportar todos os corpos. Macas e cadeiras, precisam ser resistentes

Número de casos que já escutei de pessoas que não tiveram como fazer o procedimento de tatuagem e/ou piercing por falta de ter um local seguro para seu corpo poder ficar é incalculável.  Estamos em 2022 galera, até quando vamos ficar presos numa caixa de pensamento onde só pessoas com corpos considerados “padrões” podem se tatuar ou por piercings?!

Inclusão é a palavra desde ano, mas você pode substituir por empatia. Empatia, uma das definições diz que ela é a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente e de querer o que ela quer. Em resumo, poderíamos dizer que ter empatia é se colocar no lugar do outro.

Imagina você, se prepara, cria expectativas para fazer algo que está mega ansiose e quando chega no momento de executar, não consegue porque o local não comporta você. Além de humilhação, isso causa uma série de gatilhos mentais irreparáveis…

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Tatuagem é arte, tatuagem é liberdade e tatuagem é inclusão!


E já que estamos falando de inclusão, é de suma importância falarmos sobre a necessidade de incluir pessoas LGBTQIAP+ na equipe do estúdio e no seu dia a dia. Um dos grandes relatos que escuto é sobre a homofobia e todo preconceito relacionado ao LGBTQIAP+ . E sempre que entro nesse assunto, tatuadores homens já começam a se coçar e neste momento é capaz de largarem o texto agora, e começar o “disse-me-disse”. Mas é necessário falar sobre isso, e estamos aqui para isso!

O crescente número de denúncias de assédio e de homofobias (aqui vamos englobar todos os preconceitos, bifobia, transfobia…) em estúdios de tatuagens é surreal. Principalmente em estúdios onde a maioria é de homens héteros! Você que é homem hétero, e não faz isso, precisamos da sua ajuda!!! Quando você vê algum amigo fazendo comentários desnecessário sobre o corpo da outra pessoa, sobre o gênero da outra pessoa é a sua obrigação cortar essa “brincadeirinha”. Porque isso não é “brincadeira”, nunca foi. 

Só em quem acha graça é a pessoa que está fazendo.

A tatuagem é uma liberdade de expressão, onde a principal ideologia tem que ser a inclusão. E não essas “brincadeirinhas” sem nenhum senso de humor.

E tudo isso que estou descrevendo é só a ponta do iceberg, são muitas e muitas histórias. Muitos e muitos casos, que fazem qualquer uma pessoa se revoltar. A tatuagem é uma arte de amor, estamos em contato direto com a pessoa. Então não pode haver espaço para preconceitos, seja ele qual for.

E vou te explicar o porquê disso…

A arte é amor, e amor é empatia, e empatia é inclusão. Quando eu trato com carinho todos, todas e todes que falam comigo, isso é compartilhado e triplicado. E não é difícil você ser uma pessoa inclusiva, vou colocar algumas dicas bem básicas que você pode praticar agora mesmo nas suas redes sociais e principalmente no dia a dia (porque vamos falar a verdade, é no dia a dia, que a diferença é feita realmente na prática)

  • Legende seus stories e vídeos – tem vários aplicativos gratuitos de legendas automáticas. É bem simples e prático
  • Verifique se o estúdio tem macas e cadeiras que comportam pessoas gordas e de todos os pesos
  • Coloque rampa de acesso, se for necessário
  • Contrate profissionais LGBTQIAP+ para sua equipe
  • Utilize pronomes neutros ou troque por palavras que não necessariamente tem um gênero específico

E antes de finalizar este artigo, não posso deixar de falar sobre um dos maiores preconceitos que todo dia é estampado nas nossas caras: tatuadores que se negam a tatuar pessoas pretas, principalmente as retintas.

A tatuagem é uma prática muito antiga, como falei no início do texto. Tem múmias descobertas com o corpo tatuado. Logo, a tatuagem surgiu do povo preto e dos indígenas. Mas a branquitude e o capitalismo se apropriam da cultura de tal forma, que dissemina a informação que tatuagem só fica bonita em pele clara. 

Gente, estamos em 2022, momento de estudar, se informar, de ter empatia e principalmente fazer a principal função da arte, incluir.

Tem alguma dúvida? Gostou desse texto? Deixe seu comentário e compartilhe conosco seus insights para que cada vez mais o mundo da tattoo seja inclusivo!  Nos siga nas redes sociais e fique por dentro das novidades!

 

Nane – colaboradora convidada