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Tatuagem autoral: como a originalidade pode valorizar seu trabalho

17 de julho de 2018 Equipe Find Compartilhar facebook Twitter

A tatuagem é uma forma de intervir no corpo cultuada no mundo há tempos. Essa arte permanente da pele humana já foi usada para as mais diversas finalidades, como enfeitar autoridades e poderosos ao longo da história, identificar bandidos e criminosos, unir tribos e povos, afastar inimigos e até mesmo para objetivos mais individualistas, como mostrar preferências e despistar imperfeições.

No Brasil, a tatuagem moderna foi introduzida em 1959 pelo dinamarquês Knud Gegersen, o primeiro tatuador profissional a atuar no país, mais especificamente na cidade de Santos.

Para conhecer um pouco mais sobre a história da tatuagem no decorrer do tempo, saber mais sobre a tatuagem autoral e as formas como você, tatuador, pode valorizar o seu trabalho frente à concorrência e ainda como a especialização pode ser importante para a qualidade da sua tatuagem e a conquista de novos clientes, reunimos aqui algumas dicas. Acompanhe o nosso post.

História da tatuagem

As primeiras tatuagens teriam sido feitas no Egito, segundo provas arqueológicas. Elas datam de 2000 a 4000 a.C, como comprova a múmia da mulher egípcia Amunet, que possuía traços na região abdominal.

Muitas outras múmias recuperadas de cerca de 50 sítios arqueológicos dos mais variados pontos do mundo também comprovam os primeiros registros de tatuagens. Há destaque para ocorrências de desenhos de animais reais e imaginários em múmias na Sibéria.

Outro significativo registro de tatuagens é na Europa antiga e medieval. Gregos e romanos usavam a tatuagem como forma de penalização para escravos, criminosos e prisioneiros. A tatuagem também era comum em soldados e fabricantes de armas.

Alguns destaques da história da tatuagem são também o ano de 787 a.C, quando o papa Adriano I proibiu as pessoas de se tatuarem, sob a alegação de ser coisa do demônio, e o de 1769, quando o navegador inglês James Cook, em expedição à Polinésia, marcou o corpo com tinta — na língua local, esse registro era chamado de “tatao”.

Tatuagem comercial x autoral

Assim como não é fácil para quem deseja escolher um desenho para eternizar na pele, os tatuadores também se veem no impasse entre os tipos de tatuagens com que desejam trabalhar ao longo da vida profissional.

Autoral

De acordo com o tatuador, Victor Dadamos, 23 anos, formado em Design de Produto pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG),  o profissional que opta por trabalhar com a própria linguagem, dessa forma projetos autorais, devem, antes de tudo, buscar construir o seu entendimento frente a arte, construindo assim um estilo próprio. Reforçando as suas convicções através da sua afirmação e atuação no mercado.

Com isso, podemos entender que quando se fala em tatuagem autoral, estamos nos referindo ao processo de criação onde o tatuador, após um alinhamento de ideias com o seu cliente, desenvolve um trabalho único e exclusivo para aquela determinada ocasião, sem que aquele mesmo desenho seja repetido em clientes posteriores.

Portanto, a tatuagem autoral é aquela exclusiva, criada pelo tatuador especificamente para um cliente, depois de alinhar as expectativas do mesmo em relação ao que será tatuado. “Essa construção de um estilo próprio, envolve sempre muito estudo e normalmente nasce de uma mescla ou aplicação de técnicas de representações gráficas como por exemplo, na tatuagem: realismo, old school, oriental, neo tradicional, maori, geométrico etc, onde o artista busca a melhor maneira de expressar, através da união de diferentes referências, a representação daquilo que acredita como filosofia, linguagem e estética artística, assim como a própria relação com a estética corporal. Dessa forma, construindo e entregando tanto ao mercado, quanto aos seus clientes, algo singular, único”, explica Dadamos.

Logo, as tatuagens autorais, certamente não serão reproduzidas em outras pessoas, pelo menos não pelo próprio tatuador, autor do trabalho. Com isso vale destacar que é preciso respeitar e valorizar as singularidades do processo criativo de cada artista.

O tatuador Victor Dadamos, que atua há três anos em seu estúdio privado em Belo Horizonte, defende ainda que a tatuagem autoral fortalece o mercado de um modo geral. “É muito importante que os tatuadores busquem se capacitar e desenvolver um estilo próprio, uma própria linguagem. Pois isso incentiva cada vez mais o surgimento de trabalhos únicos, valorizando não só o artista, mas a tatuagem de um modo geral. Fazendo com que apareçam novas referências e engajando cada vez mais os consumidores a respeito da importância e do valor que os trabalhos autorais possuem, assim como os próprios artistas que os desenvolvem.”, salienta o tatuador.

Comercial

Já a tatuagem comercial é a reprodução de desenhos comuns. Nesses casos, a pessoa interessada na tatuagem apenas solicita ao tatuador a reprodução de imagens selecionadas até mesmo em referências na internet e nas redes sociais.

Em relação às tatuagens comerciais, o tatuador deve deixar claro para o cliente que certamente outras pessoas terão tatuagens bastante parecidas com a dele ou até mesmo iguais a ela.

Vale ressaltar, no entanto, que ainda que a tatuagem seja comercial, o tatuador pode se inspirar para diminuir as chances de que as tatuagens feitas nos mais diferentes clientes sejam idênticas.

Ainda que a tatuagem seja o desenho de uma estrela, por exemplo, ela certamente terá características do design e do traço específicos do tatuador, o que pode torná-la um pouco mais pessoal.

Plágio de tatuagem: motivos para não adotar essa prática

A dica é usar a criatividade e o repertório mental para criar seu próprio estilo e linguagem. Mas, fique atento, pois a diferença entre tatuagens autorais e comerciais pode gerar certas polêmicas relacionadas ao plágio.

É importante ficar ligado às questões éticas que envolvem esse mercado, evitando, por exemplo, copiar o desenho autoral de outro tatuador, desvalorizando assim tanto o trabalho do tatuador original quanto do profissional que o plagiou.

Portanto, lembre-se de que os direitos autorais também devem valer para o mercado de tatuagens. Antes de pensar em reproduzir qualquer tatuagem, peça autorização do tatuador para a possível reprodução.

Importância da especialização

Nem mesmo a crise econômica que o Brasil enfrenta desde o fim de 2014 abalou o mercado de tatuagem. De acordo com um estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o setor teve um crescimento de 24,1% no número de estúdios regularizados no país entre o início de 2016 e o final de 2017.

Diante dessa realidade, é importante que tatuadores e aspirantes à profissão estejam sempre em busca da especialização, que vai interferir diretamente na qualidade e na variedade das tatuagens oferecidas no mercado, bem como no posicionamento do profissional no mercado.

O tatuador deve buscar por workshops, cursos e congressos — presenciais ou mesmo online — para aprender mais sobre os estilos de tatuagem e até mesmo sobre os traços mais grossos, mais finos, pontilhismo, tridimensional e ainda sobre a combinação de cores.

Além disso, as especializações bem como a participação nesses eventos vão contribuir para que o tatuador esteja antenado às principais tendências do mercado e adquira conhecimento suficiente para gerar ótimos insights nos processos criativos.

E então? Entendeu como a originalidade pode agregar valor ao seu trabalho? Compartilhe o conteúdo nas redes sociais e ajude a fortalecer o mercado autoral de tatuagens.