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Queloide na tatuagem: saiba por que acontece e o que fazer – Parte 2

31 de julho de 2018 Equipe Find Compartilhar facebook Twitter

As cicatrizes fazem parte de um processo muito natural no corpo humano: a cicatrização. No entanto, inclusive devido a alguns fatores genéticos, muitas pessoas são mais suscetíveis a desenvolverem aquelas cicatrizes volumosas, que crescem para além do espaço das lesões por cortes, cirurgias ou tatuagens. Esse tipo de cicatriz é chamado de queloide, que é muito diferente da cicatriz hipertrófica. Além disso, uma queloide na tatuagem pode ser um incômodo ainda maior porque afeta toda a arte.

Algumas falhas na cicatrização são as responsáveis pelos pequenos relevos que podem surgir após realizar uma tatuagem. Entretanto, não é possível prever se elas aparecerão ou não durante o processo de cicatrização, mas é bom entender como tudo isso funciona para poder reduzir as chances no surgimento de uma queloide.

Está pensando em fazer uma tattoo e tem medo de que apareça uma queloide na arte? Continue a leitura e tire todas as suas dúvidas. Aqui explicaremos tudo o que você precisa saber sobre queloides, cicatriz hipertrófica e como garantir uma cicatrização totalmente saudável e livre de qualquer alteração indesejada. Vamos lá?

O processo de cicatrização

Antes de tudo, vamos explicar como acontece o processo de cicatrização no corpo humano. Quando algum tecido é lesionado, seja por cortes acidentais, por motivos cirúrgicos ou estéticos, como é o caso das tatuagens e dos piercings, o corpo inicia uma reação natural de reparação nesses tecidos.

O processo de cicatrização ocorre graças a uma série de reações complexas nos tecidos e que envolve diversas etapas:

  • as plaquetas se aglomeram e se aderem no tecido ao redor do ferimento, criando um coágulo de sangue e fechando os vasos sanguíneos que foram rompidos pela lesão;
  • a inflamação decorrente do processo de coagulação do sangue na região forma uma barreira contra infecções, realizando a limpeza na parte lesionada e destruindo os agentes infecciosos;
  • com o passar dos dias, o corpo começa a substituir os tecidos danificados, reparando os vasos sanguíneos lesados e cicatrizando a área do ferimento com tecido cicatricial, o qual é muito rígido e não elástico, funcionando como uma verdadeira cola.
  • ao final do processo de cicatrização, o tecido lesionado foi totalmente substituído e fortificado — durante o processo, as células tentam se reagrupar de forma a retornarem a seus formatos originais.
  • quando esse processo acontece com o máximo de eficácia, as lesões apresentam pequenas marcas — quando o processo acontece da forma indevida, surgem as cicatrizes, sejam elas as hipertróficas ou as temidas queloides.

Agora que entendemos o processo de cicatrização realizado pelo corpo humano, vamos compreender melhor o que acontece quando a cicatrização não ocorre da forma que deveria.

A cicatriz hipertrófica

As cicatrizes hipertróficas são alterações fibropatogênicas que ocorrem durante o processo de cicatrização das lesões. Essas alterações se devem à proliferação de fibroblastos na pele e ao acúmulo excessivo de colágeno ocasionado por ferimentos.

Muitas vezes são confundidas com queloides — das quais vamos falar a seguir —, mas, diferente destas, as cicatrizes hipertróficas não ultrapassam a direção da ferida inicial, ficando limitada somente à área do trauma. Esse tipo de cicatriz tem tendência à regressão, ou seja, ela diminuirá com o tempo, e a inflamação, por mais que cause dor e coceira, será extinguida.

A cicatriz hipertrófica surge, normalmente, a partir de seis a oito semanas, mas, em alguns casos, pode se desenvolver logo após a lesão do tecido. Agentes externos podem contribuir para que o processo de cicatrização não ocorra da forma que deveria e ocasione o surgimento das cicatrizes hipertróficas.

Incisões mal realizadas, tensão, traumas como ferimentos e queimaduras, inflamações, intervenções cirúrgicas e estéticas que danificam o tecido podem facilmente culminar nesse tipo de cicatriz.

Elas também podem se desenvolver a partir de lesões preexistentes como acne, marcas de vacinação, tatuagens, brincos e piercings.

Tratamento para cicatriz hipertrófica

O tratamento dessas cicatrizes pode ocorrer durante o processo de cicatrização, pelo uso de compressas de silicone, pomadas cicatrizantes, ou após o processo infamatório, com cremes e géis redutores, injeções localizadas de corticoides, crioterapia para neutralizar o tecido danificado, massagens, laserterapia ou cirurgias corretivas.

Esses tratamentos costumam ser muito eficazes para a cicatriz hipertrófica. Mesmo os menos invasivos, aqueles que não envolvem intervenções médicas, como as massagens e os géis, apresentam um resultado garantido. No entanto, eles demoram mais tempo para gerar resultados.

A queloide na tatuagem

Diferente das cicatrizes hipertróficas, que podem surgir em qualquer pessoa, as queloides são ocasionadas por fatores genéticos. Ou seja, as pessoas com predisposição têm maior chance de serem afetadas por esse tipo de má cicatrização.

As queloides ultrapassam a direção da ferida inicial, podendo crescer indefinidamente até se tornarem, em casos extremos, grandes como uma laranja. Elas se formam da mesma maneira que as cicatrizes hipertróficas, a partir de um processo inflamatório do próprio corpo, ocasionado por agentes externos ou em lesões anteriores, como piercings, acne e tatuagens.

De origem genética, esse tipo de malformação acontece principalmente em pessoas do sexo feminino, de pele negra ou de origem asiática, afetando na maioria dos casos regiões como os ombros, costas e mamas, por serem áreas de pele com maior espessura, mas também são bastante comuns nas orelhas, desencadeado principalmente devido à perfuração de brincos e piercings.

De cor avermelhada ou mais escura, além de mais endurecidas, essas protuberâncias podem causar coceira e desconforto para uma pessoa, além de afetar em muito a sua autoestima e bem-estar.

Ao contrário das cicatrizes hipertróficas, as queloides não possuem tendência a regressão, mas podem ser retiradas por meio de tratamentos médicos, os quais não impedem o retorno posteriormente. Existem, entretanto, algumas outras opções que podem ser decisivas na hora de eliminar essas terríveis cicatrizes. Continue a leitura e confira!

Tratamento para queloide

O tratamento das queloides é o mesmo utilizado nas cicatrizes hipertróficas, todavia, ele não pode garantir que elas não retornarão após todo o processo.

Confira agora alguns detalhes sobre os métodos mais utilizados:

  • gel de silicone: ajudando a manter o local hidratado, o gel de silicone realiza uma manutenção da queloide, aliviando coceiras e outros desconfortos na região, além de diminuir a perda de coloração da pele — um detalhe importante é que esses géis devem ser utilizados, de preferência, quando o ferimento já estiver fechado.
  • crioterapia: trata-se do congelamento da queloide utilizando nitrogênio líquido — dessa forma, a cicatriz passa a ter uma aparência mais lisa e com menor elevação em referência ao nível da pele.
  • laserterapia: a utilização do laser é muito eficaz para clarear e diminuir uma queloide — durante o procedimento, a pele com cicatriz será aquecida em suas partes mais superficiais, o que remove toda a região afetada, possibilitando o desenvolvimento de uma nova camada adequada e natural de pele.
  • peeling: aplicando uma solução química sobre a queloide, essa será esfoliada, ou seja, perderá o excesso de células mortas acumuladas, regenerando a sua superfície, o que resulta na exposição de um novo tecido.
  • cirurgia de remoção: nessa intervenção, todo o tecido será removido de forma invasiva — no entanto, como já citado, também não garante que a queloide não retorne daqui a algum tempo.
  • injeções de cortisona: o uso de corticoide para conter o crescimento de uma queloide é uma boa opção, isso porque esse é um princípio ativo anti-inflamatório muito potente, que atuará no núcleo da células, freando a inflamação que induz à proliferação de células fibrosas — assim, principalmente após realizar uma cirurgia de remoção, as injeções de cortisona são ótimas aliadas para prevenir que uma queloide volte a se desenvolver.

Entre as intervenções mais inovadoras e que podem trazer resultados efetivos na redução de uma queloide, estão:

  • radioterapia: utilizando a radiação beta, sendo chamada então de betaterapia, é uma ótima forma de prevenção, devendo ser realizada antes de qualquer procedimento na pele que gere lesão para evitar o surgimento dessas cicatrizes;
  • medicamento Fluorouracil: um fármaco quimioterápico, utilizado para inibir células cancerígenas, pode ser muito útil para conter a produção exagerada de colágeno das queloides.

Antes de aplicar piercings, brincos ou fazer uma tatuagem, marque uma consulta e converse com o seu médico, descobrindo se você tem alguma tendência a esse tipo de má formação nas cicatrizes. Além disso, é importante ter a certeza da escolha de um bom profissional, de um bom estúdio e da procedência dos materiais usados, assim, as chances da formação de queloide na tatuagem ou de cicatrizes hipertróficas são consideravelmente reduzidas.

Os cuidados com a tatuagem também são fundamentais para que a cicatrização ocorra da melhor forma possível, garantindo que o seu desenho continue lindo e como você sempre imaginou durante muito tempo, além de garantir que a sua pele se regenere da maneira como se espera.

Escute as recomendações de seu tatuador. Nunca coce a tatuagem, não use produtos de procedência duvidosa e que não sejam próprios para a cicatrização de tatuagens. Nunca deixe a área suja e faça toda a higienização adequada da área tatuada, limpando sempre com sabão e água corrente, além de não ficar muito tempo no banho e nem exagerar na temperatura da água, que não pode ser muito quente.

Por fim, evitando o sol e usando muito protetor solar, o que deverá entrar para os seus cuidados de rotina, a sua tattoo ficará perfeitamente cicatrizada, sendo que isso evitará também o estímulo à formação de um novo queloide na tatuagem.

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